A ideia é ótima e a execução não deixa a peteca cair. Juan é o líder do grupo, que ainda arruma uma forma de ganhar dinheiro diante da tragédia. "Matamos seus entes queridos", anunciam.
Como muitas grandes comédias, o Juan de los Muertos (no original) investe no absurdo para produzir críticas não só contra o sistema de governo do país, mas também contra os Estados Unidos e o cinema hollywoodiano. Não é coincidência que o primeiro zumbi visto no filme seja um prisioneiro de Guantánamo e nem que um cowboy (ou quase isso) surja em cena para morrer da forma mais idiota possível.
O filme não se julga esperto de mais e nem perde tempo em debates políticos, mas não deixa de dar suas indiretas, algumas delas bem óbvias, por sinal. As ruas de Havana viram cenário de filme de horror, com muito sangue e corpos pelo chão. Tal ambiente contrasta com painéis e pinturas que destacam frases como "pátria ou morte", "revolução e morte" e "Havana livre". Brinca com os russos, através de crítica aos carros Ladas, e com os americanos, com o protagonista dizendo que só vai para Miami se não tiver mais jeito. Para ele, só algo pior que uma revolução zumbi justificaria entrar num bote para a América.
Estrelado por Alexis Díaz de Villegas, Jorge Molina, Andrea Duro e Andros Perugorría, Juan dos Mortos é inteligente, divertido e muito bem feito. É claro que possui um visual trash e cenas pra lá de bizarras, mas tudo bem inserido em produções do gênero. No final, é difícil tirar o sorriso do rosto, reforçado por uma versão roqueira de "My Way", clássico da música imortalizado por Frank Sinatra.
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