Monstros S.A. focava sua atenção no novo, representado na figura da fofa Boo. Os protagonistas James Sullivan e Mike Wazowski eram obrigados a enfrentar todo um mundo desconhecido, vindo do lado dos humanos. Agora, em Universidade Monstros, o que vem de fora pouco importa. Eles são obrigados a confrontar seus sentimentos internos. Mike é detentor de uma força de vontade e de um sonho que lha dá força, embora passe a imagem de iludido para o resto do mundo. Já Sulley surge como o sujeito perseguido pela sombra de seu famoso pai ao mesmo tempo em que passa a imagem de um sujeito convencido e muito seguro de si.
Mike decide já naquela visita que vai ser um assustador profissional e resolve estudar para isso. Após uma passagem de tempo (inserida de forma divertida nos créditos iniciais), o jovem se vê entrando para a universidade para frequentar uma escola de sustos. Ele se depara com um belo câmpus, com disciplinas eletivas, nerds, hippies, garotos e garotas populares. Ou seja, tudo o que já nos acostumamos a ver numa centena de filmes passados em universidades. Lá, conhece Jimmy Sulley, um sujeito popular e arrogante que o vê como um tampinha que não tem futuro no mundo dos sustos. Após uma série de eventos, os dois se veem obrigados a competir juntos em uma olimpíada que pode mudar para sempre a vida letiva dos dois.
A qualidade da animação segue o padrão Pixar. Os personagens, os cenários, tudo é extremamente bem desenhado. Mas não se trata apenas de se desenhar bem um personagem ou objeto. Trata-se, principalmente, de animar todo um mundo que soa verdadeiro e acolhedor ao espectador.
O público assiste de sua poltrona ao nascimento da amizade entre os dois protagonistas, mais uma vez dublados por Billy Crystal e John Goodman. É interessante notar que nem tudo são flores na história da dupla. Eles começam quase como inimigos, veem a convivência melhorar, mas ainda sim quase colocam tudo a perder por causa de orgulho e de uma mentira.
Lembrando o trabalho de Tim Burton em A Noiva-Cadáver, o diretor e roteirista Dan Scanlon faz a divertida opção de retratar o mundo humano como um lugar sombrio, enquanto que o dos monstros (e dos mortos no filme citado) é repleto de cor e alegria. Neste sentido, é difícil não ficar impactado com a cena em que vemos Mike e Sulley como únicos pontos coloridos (ainda que pouco coloridos) em uma noite chuvosa diante de um lago cinzento. A sequência é lindíssima e diz muito sobre o sentimento dos personagens.
O filme obviamente se aproveita do carinho que já sentimos pelos personagens, que vem lá de Monstros S.A., mas é importante destacar que não fica se esforçando para criar referências ao outro. Vemos outros personagens e até entendemos a "criação" do vilão Randy, mas nada que fuja da trama da nova produção.
É importante destacar que há uma cena bem divertida após os créditos, então nada de sair da sala de cinema antes da hora. Os próprios créditos finais são divertidos, repetindo a ideia do início e investindo numa passagem de tempo que leva os personagens principais ao ponto de partida da obra anterior.
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