Bruno Dumont é um cineasta muito particular no cinema atual. Autor de obras áridas e silenciosas, ele tem procurado adotar uma estética minimalista, sem ornamentos. Em filmes como A Humanidade, O Pecado de Hadewijch e Fora de Satã, a natureza e a religião são os temas centrais, e funcionam como principais portas de entrada para uma arte em busca de transcendência. As imagens são longas, lentas, acompanhando personagens em suas travessias existenciais por espaços vazios.
Sem os fatos nem as reviravoltas, o que instiga o olhar de Dumont é o estado de espírito desta mulher. SolicitandoJuliette Binoche para o papel principal (algo raro para um cineasta que prefere trabalhar com amadores), o diretor cola sua câmera no rosto da atriz, nas suas mãos, no seu corpo. Este é um filme exigente com a composição da personagem, e Binoche parece uma escolha ideal para tamanha entrega. Ela poderia chorar e gritar desesperadamente, como tinha feito Isabelle Adjani na outra cinebiografia citada acima, mas o roteiro de Camille Claudel 1915 prefere as transformações íntimas às explosões emotivas.
Enquanto isso, Dumont constrói uma noção de religiosidade marcada pela calma e ausência de julgamentos. O sermão austero do irmão de Camille e a loucura agravada de suas colegas servem para construir a atmosfera de solidão. Embora seja um filme lento, que não vai saciar todos os gostos, Camille Claudel, 1915 acredita que a profundidade dos personagens se constrói com o tempo, com a luz e os enquadramentos, de maneira plástica ao invés de narrativa. É um cinema duro, hermético, mas muito recompensador pela maneira como busca compreender, com pouquíssimos elementos, temas fundamentais como o amor, a tristeza, a piedade e a fé.
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