A primeira impressão diante deste filme pode ser negativa, especialmente para quem espera uma abordagem realista. Sabendo que a expedição do título foi real, e que já deu origem a um documentário, a nova versão fictícia surpreende pelo tom mágico: um pesquisador obstinado, Thor Heyerdahl (Pål Sverre Valheim Hagen) decide provar ao mundo inteiro que o sudeste da Ásia foi colonizado pelo leste (partindo do Peru, mais especificamente), e não pelo oeste, como diziam os livros de História. Para isso, decide se lançar em uma aventura suicida, fazendo o mesmo trajeto que teriam feito os peruanos sobre uma pequena jangada precária, cercado por uma tripulação inexperiente.
No entanto, se o espectador souber abandonar a expectativa de realismo e neutralidade, a aventura que se segue é impressionante. Com um elenco talentoso, o roteiro confere aos homens do Kon-Tiki personalidades bem distintas, embora não necessariamente complexas. A trama equilibra a participação de cada um, dosando elementos de ação, drama, romance e suspense. Esses momentos são acompanhados por uma trilha sonora grandiosa e bela, que inicia e termina nos segundos exatos. De fato, a mecânica do projeto segue a cartilha de bom gosto da indústria americana, respeitando cada elemento estético e narrativo dos grandes estúdios como se tivesse medo de cometer alguma gafe, algum erro de etiqueta.
Apesar destas qualidades, é preciso lembrar que não existe um único momento de originalidade em todo o filme. Tudo ocorre como esperado, no momento esperado. Esta é uma produção nórdica falada em inglês, concebida para a exportação, mais diretamente para o público de multiplexes, que busca justamente uma satisfação emocional (rir, chorar, ter medo) aliada ao reconforto de encontrar exatamente aquilo que procurava. Para o espectador em busca de um mínimo de inovação ou complexidade psicológica, no entanto, o resultado pode ser decepcionante. Por fim,A Aventura de Kon-Tiki serve para reafirmar a posição das grandes produtoras nórdicas (Nordisk, Zentropa) como algumas das maiores do mundo, conseguindo estabelecer imensas coproduções, às vezes com sete ou oito países envolvidos, e reunir em uma mesma obra alguns dos melhores profissionais do cinema.
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