Usando pouquíssimos diálogos, o diretor investe na relação entre Marina (Olga Kurylenko) e Neil (Ben Affleck). A primeira se muda com a filha de Paris para uma cidadezinha norte-americana, onde passa o morar com o sujeito. Não vemos como os dois se conhecem, mas contemplamos o crescimento de um amor que parece não ter fim.
Terrence Malick, no entanto, não está interessado em tratar da plenitude do amor (ao contrário do que sugere o título nacional). Assim como faz o público se apaixonar junto com o casal, o cineasta também mostra a inquietude do ser humano e o desgaste natural de uma relação. Neste sentido, é curioso notar a forma como ele brinca com seu espectador, que se envolve na relação entre o casal principal para depois vê-la encerrada. Aí, quando o público esperava não mais se envolver, somos jogados em uma nova paixão, entre Neil e Jane (Rachel McAdams).
Usando analogias óbvias com relação a iluminação e cor de figurinos, o longa conta com um excepcional design de produção. Neil é visto quase que constantemente com cores escuras, enquanto que Marina começa com um branco quase angelical e vai escurecendo. Algo parecido acontece com Jane, com a diferença que ela, quando encontra o sujeito, vive um duro momento em sua vida, razão pela qual usa um azul bem escuro no figurino. Ela vê sua alma clarear, mas também sofrerá outras mudanças.
Assim como aborda o amor, To The Wonder (no original) tem a fé como objeto de estudo. Neste "núcleo" encontramos um padre (Javier Bardem) que sofre com a dura realidade do cenário a sua volta. Ele busca um sinal de Deus, enquanto procura ajudar as pessoas a sua volta. Malick e Lubezki não economizam na luz durante todo o filme, com a câmera encontrando com raios de sol durante toda produção e falando com todas as letras sobre a existência de uma luz espiritual. Diante disso, é curioso encontrar uma sequência em que o padre, com sua roupa toda preta, fecha as cortinas do quarto para impedir a entrada de luz. Ali, entramos na alma do personagem, questionador e inquieto.
São muitos os atores que sonham trabalhar com Malick, mas também são vários que acabam cortados de seus filmes na montagem. Rachel Weisz, Jessica Chastain, Michael Sheen, Amanda Peet e Barry Pepper foram alguns que acabaram fora do corte final de Amor Pleno. Por outro lado, o diretor também trata muito bem seus atores e, principalmente, suas atrizes. Ele filma Kurylenko e McAdams como alguém que contempla suas belezas e passa isso muito bem para a plateia. Os atores, no entanto, acabam ganhando performances mais duras, como Brad Pitt no filme anterior e Ben Affleck aqui. O último, por sinal, nunca foi um grande ator, mas é tratado com tamanha elegância pela câmera que acaba convencendo.
Ao final, o filme dá uma demonstração de fé. Mas não se trata de acreditar em Deus ou defender qualquer religião. Estamos falando em fé no amor. Com direito a um agradecimento ao "amor que nos ama".
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